A consultoria Think Policy considera a resposta do governo brasileiro às novas tarifas comerciais como desproporcional. Em entrevista ao WW, o sócio Leonardo Barreto afirmou que o revés pode ser o maior da diplomacia nacional desde a Guerra do Paraguai.
Barreto argumenta que a escalada retórica e as medidas anunciadas pelo Planalto fogem ao padrão de pragmatismo que costuma guiar a política comercial do país. Segundo reportagem do CNN Brasil, a avaliação da consultoria é de que o governo perdeu oportunidade de negociar compensações setoriais antes de adotar tom de confronto aberto.
O setor que mais preocupa analistas é o agronegócio goiano, responsável por fatia significativa das exportações estaduais de soja, milho e carnes. Produtores ouvidos por entidades de classe relatam incerteza sobre acesso a mercados e volatilidade cambial que pressiona custos de insumos importados, como fertilizantes e defensivos.
A comparação com a Guerra do Paraguai (1864-1870) refere-se à magnitude do isolamento diplomático que o país pode enfrentar se a disputa tarifária evoluir para barreiras não tarifárias ou retaliações coordenadas por blocos econômicos. Historiadores ouvidos pela Think Policy ponderam que, à época, o Brasil liderou coalizão vitoriosa; hoje, o cenário é de negociação bilateral fragilizada.
Para exportadores goianos, o efeito prático imediato é a revisão de contratos e a busca por mercados alternativos na Ásia e no Oriente Médio. A Federação da Agricultura de Goiás (Faeg) prepara nota técnica com sugestões de mitigação, entre elas a aceleração de acordos de facilitação de comércio já em tramitação no Mercosul.
A sinalização de instabilidade na política comercial exige monitoramento constante dos canais oficiais e diversificação de destinos para a produção goiana.