Os Estados Unidos elevaram a tarifa sobre determinados produtos brasileiros de 12,5% para 37,5%, somando uma sobretaxa de 25% que entrou em vigor na quarta-feira (22). Setores da agroindústria e da metalurgia afirmam que estão em contato com autoridades americanas para tentar reverter ou amenizar a medida. A mudança afeta diretamente exportações de soja, carne bovina e semimanufaturados de aço e alumínio.
A tarifa adicional de 25% incide sobre produtos como soja in natura, carne bovina fresca e semimanufaturados de aço e alumínio, elevando a alíquota total para 37,5%. A medida foi publicada no Diário Oficial dos EUA e passou a valer imediatamente após a data anunciada. Analistas apontam que o aumento pode tornar os produtos brasileiros menos competitivos no mercado norte-americano, especialmente diante de concorrentes de outros países com tarifas menores.
Segundo reportagem do G1, representantes das entidades do agro e da metalurgia já iniciaram contatos com a embaixada dos EUA em Brasília e com o Departamento de Comércio americano, buscando uma negociação que reduza ou elimine a sobretaxa. Eles argumentam que o setor emprega milhares de trabalhadores e que qualquer elevação de custos pode impactar a cadeia produtiva nacional. As conversas incluem a possibilidade de apresentar contrapropostas ou buscar compensações em outros setores.
Em Goiás, a soja e a carne bovina representam uma parcela significativa da pauta de exportação estadual, segundo dados da Secretaria de Agricultura do estado. Produtores goianos afirmam que estão avaliando estratégias como a diversificação de mercados, aumentando as vendas para a Ásia e a Europa, e investindo em agregação de valor por meio da industrialização local antes da exportação. Alguns também cogitam ajustar a logística para reduzir custos operacionais e manter a competitividade apesar da tarifa mais alta.
O governo federal monitora a situação e afirma que está preparado para usar instrumentos de defesa comercial, caso as negociações não avancem. Enquanto isso, a Câmara de Comércio Exterior (Comex) recomendou que empresas revisem seus contratos de longo prazo e considerem cláusulas de reajuste tarifário. O impacto final dependerá da duração da medida e da resposta dos parceiros comerciais brasileiros.
A elevação da tarifa dos EUA cria um desafio imediato para as cadeias exportadoras brasileiras, sobretudo para estados como Goiás que dependem fortemente de soja e carne. O desfecho das negociações definirá se os produtores conseguirão manter seus volumes de mercados ou precisarão realocar produção e investimentos.