O mercado financeiro apresentou sessão mais tranquila nesta terça-feira (27), com o Ibovespa recuando 0,5%, após a forte queda de 13% registrada na véspera. O dólar, que havia disparado na segunda, também deu sinais de estabilização. A expectativa de analistas é que, superado o período eleitoral, os fundamentos macroeconômicos voltem a orientar as decisões dos investidores.
Na segunda-feira (26), o Ibovespa tombou 13% e o dólar saltou para acima de R$ 5,60, reagindo à incerteza fiscal pós-eleições. Nesta terça, o índice fechou aos 128,5 mil pontos, com perda moderada de 0,5%, enquanto a moeda americana recuou 0,3%, cotada a R$ 5,58. O movimento sugere realização de lucros e recomposição de posições após o estresse agudo da véspera.
O Tesouro Direto realizou leilão de títulos prefixados e atrelados à inflação com demanda dentro da normalidade, segundo reportagem do G1 com base em dados do programa. As taxas ofertadas ficaram estáveis frente ao fechamento anterior, sinalizando que a curva de juros futuros começa a incorporar um prêmio de risco menor agora que o calendário eleitoral ficou para trás.
Para o setor produtivo goiano, a calmaria relativa alivia a pressão sobre o custo do crédito. O agronegócio, grande exportador e importador de insumos, e a indústria de transformação, dependente de maquinário e componentes dolarizados, sentem no bolso cada centavo de variação cambial. Taxas de juros mais previsíveis facilitam o planejamento de safra e a renovação de linhas de capital de giro.
O foco do mercado migra agora para a tramitação do pacote fiscal no Congresso e para a reunião do Copom em novembro. A ancoragem das expectativas de inflação e a trajetória da dívida pública serão os vetores que ditarão o ritmo de queda da Selic nos próximos trimestres, definindo, por consequência, o custo do financiamento para empresas e famílias.
Com a volatilidade eleitoral no retrovisor, a trajetória do câmbio e dos juros futuros passa a depender mais do ritmo da atividade econômica e das contas públicas, fatores que ditam o custo do crédito para o setor produtivo goiano.