A China importou 12,08 milhões de toneladas de soja do Brasil em junho, alta de 13,7% frente ao período anterior, enquanto as aquisições de origem norte-americana seguem em queda. Os dados foram divulgados pela Administração Geral das Alfândegas chinesa nesta segunda-feira (20) e reforçam a reconfiguração do comércio global da oleaginosa desde o início da guerra tarifária entre as duas maiores economias do planeta.
O salto nas compras brasileiras ocorre em um momento de safra cheia no Centro-Oeste, o que garante oferta abundante e competitividade de preço frente ao produto dos Estados Unidos. Segundo reportagem do G1, a Administração Geral das Alfândegas da China não detalhou o volume exato adquirido dos americanos, mas analistas de mercado apontam retração contínua desde 2018, quando as primeiras tarifas cruzadas entraram em vigor.
A substituição gradual do fornecedor tradicional pelo brasileiro altera fluxos logísticos e pressiona prêmios nos portos nacionais. Tradings relatam filas maiores para embarque em Santos e Paranaguá, enquanto cooperativas do interior ajustam contratos de barter e antecipação de insumos para acompanhar o ritmo de demanda externa.
Goiás, terceiro maior produtor nacional da oleaginosa, sente o reflexo direto nas cotações praticadas nas cooperativas de Rio Verde, Jataí e Mineiros. Produtores relatam maior liquidez no mercado spot e prêmios acima da média histórica para o período, o que melhora a rentabilidade da safra recém-colhida e influencia decisões de plantio para o próximo ciclo.
Do lado chinês, a estratégia de diversificação de fornecedores inclui também avanços em acordos com Argentina e Paraguai, mas o Brasil segue como principal pilar de segurança alimentar do país asiático. O Ministério da Agricultura brasileiro acompanha as negociações para ampliar a pauta de produtos com acesso ao mercado chinês, incluindo milho e farelo de soja.
A reorientação das compras chinesas consolida o Brasil como fornecedor estratégico e injeta dinamismo na cadeia produtiva nacional, com efeitos imediatos na formação de preço nas regiões produtoras.