O governo brasileiro classificou como arbitrária e injustificada a tarifa anunciada pelos Estados Unidos nesta quinta-feira (23) sobre importações de cerca de 60 parceiros, incluindo o Brasil, com alíquotas entre 10% e 12,5% que entram em vigor amanhã. A medida americana alega falha na fiscalização de produtos feitos com trabalho forçado, e Brasília já sinaliza que pode acionar a Lei da Reciprocidade como resposta.
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) publicou a lista de países sujeitos às novas alíquotas sob a justificativa de que não cumprem compromissos de proibir a entrada de bens produzidos com trabalho forçado. A decisão afeta cadeias agrícolas e industriais e passa a valer já nesta sexta-feira (24), sem período de transição.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores rejeitou a fundamentação americana e afirmou que o Brasil mantém legislação rigorosa e mecanismos de fiscalização ativos. Segundo reportagem do G1, a pasta avalia acionar a Lei da Reciprocidade, que autoriza retaliação comercial simétrica contra medidas unilaterais consideradas abusivas.
Para Goiás, a medida tem impacto direto nas duas principais cadeias de exportação do estado: soja e carne bovina. Juntas, elas respondem pela maior fatia da pauta goiana enviada aos Estados Unidos, com escoamento pelo Porto de Santos e pelos aeroportos da capital. Exportadores já calculam perdas de competitividade imediatas se a tarifa se mantiver.
O setor produtivo goiano acompanha com preocupação a escalada protecionista. Entidades como a Faeg e a Adial articulam reuniões com a bancada federal para pressionar por uma solução diplomática rápida, argumentando que a alegação de trabalho forçado não encontra respaldo nas auditorias internacionais reconhecidas pela OIT.
Na prática, o produtor rural e o frigorífico goiano sentem o efeito no bolso: a alíquota extra reduz a margem de lucro e pode deslocar compradores americanos para concorrentes de outros países não taxados, como Argentina e Paraguai, que não entraram na lista inicial.
A disputa comercial coloca em risco empregos e renda no interior goiano, enquanto o Itamaraty busca reverter a medida por vias bilaterais e multilaterais antes que a retaliação se torne necessária.