Produtores de Goiás passam a adotar em escala tecnologias de recuperação de pastagens degradadas, como plantio direto de forrageiras e adubação orgânica, para ampliar a produção de carne e leite sem derrubar mata nativa. O estado concentra um dos maiores rebanhos do país e tem cerca de 60% das áreas de pastagem com algum nível de degradação, segundo dados do setor.
O manejo integrado de pastagens, que combina rotação de espécies, correção do solo e pastejo controlado, tem mostrado ganhos de até três arrobas por hectare ao ano em propriedades que implantaram o sistema. A Embrapa acompanha a difusão dessas práticas em regiões de Cerrado, onde a degradação costuma avançar mais rápido pela acidez natural do solo e pelo uso contínuo sem reposição de nutrientes.
Segundo reportagem do Jornal Opção, o Ministério da Agricultura e a FAO apontam a recuperação de áreas já abertas como eixo central para atender à demanda global por proteína animal sem ampliar a fronteira agrícola. O IBGE registra que o rebanho bovino brasileiro supera 230 milhões de cabeças, e a pressão por eficiência faz o custo da tecnologia deixar de ser obstáculo para médios e grandes pecuaristas.
Há uma década, a alternativa dominante era abrir novas áreas no Matopiba ou no Pará. Hoje, linhas de crédito do Plano Safra e programas estaduais de regularização ambiental condicionam financiamento à apresentação de plano de recuperação de pastagens, o que acelerou a adesão técnica em Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais.
Em Goiás, a Secretaria de Agricultura estima que 4,2 milhões de hectares de pastagens apresentam degradação moderada ou forte, concentrados no sudoeste e no norte do estado. Produtores que adotaram o sistema relatam redução de 30% no gasto com suplementação animal no período seco, reflexo direto da maior oferta de forragem de qualidade no próprio pasto.
A expansão dessas práticas define se o Brasil consegue crescer na pecuária sem novos desmatamentos, e Goiás, pelo peso do seu rebanho, funciona como termômetro dessa transição.