O governo brasileiro admite que os Estados Unidos podem impor uma tarifa adicional de 12,5% sobre importações nacionais por falhas no combate ao trabalho forçado. A principal incerteza é se essa alíquota será cumulativa à sobretaxa de 25% anunciada na quinta-feira (16), o que elevaria a carga total a 37,5%.
Segundo reportagem do G1, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, confirmou que a possibilidade está em análise, embora não tenha detalhado os próximos passos diplomáticos. A medida americana baseia-se em legislação que veta a entrada de bens produzidos com mão de obra forçada.
Goiás responde por fatia relevante das exportações brasileiras de soja e carne bovina, dois setores expostos ao mercado americano. Em 2024, o estado embarcou mais de 15 milhões de toneladas de soja e cerca de 300 mil toneladas de carne, parte destinada aos EUA. Qualquer elevação tarifária reduz a competitividade desses produtos frente a concorrentes como Argentina e Paraguai.
A sobretaxa de 25% anunciada na madrugada de quinta-feira já havia gerado apreensão no agronegócio. Se a nova alíquota for aplicada de forma cumulativa, o custo final para o importador americano subiria a um patamar que pode tornar inviável parte dos embarques goianos, especialmente nos contratos de curto prazo.
O Itamaraty e o Ministério da Agricultura acompanham o tema e preparam argumentos para contestar a base técnica da medida americana. Entidades do setor produtivo goiano pressionam por uma resposta rápida, pois a safra de soja 2025/26 começa a ser negociada nos próximos meses e a incerteza travou parte das vendas antecipadas.
A definição sobre a cumulatividade das tarifas deve sair nas próximas semanas e ditará o ritmo das exportações goianas para o principal mercado comprador de commodities agrícolas do Brasil.