O governo brasileiro identificou mais de dez menções ao presidente dos Estados Unidos no documento técnico que fundamenta a nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O texto do Escritório do Representante Comercial (USTR) abre com a frase 'Em conformidade com a determinação específica do Presidente, o Representante Comercial está adotan', padrão que se repete ao longo da primeira página.
A leitura feita pela equipe econômica brasileira trata a recorrência como indício de que a medida decorre de uma ordem direta da Casa Branca, e não apenas de critérios técnicos de comércio. Segundo reportagem do G1, a avaliação interna considera que a linguagem do documento reforça o caráter político da decisão, tomada no contexto da estratégia comercial da gestão Trump.
A tarifa atinge setores sensíveis da pauta exportadora brasileira, como aço, alumínio e produtos agropecuários. A soja e a carne, itens de peso na balança comercial, estão entre os que podem sofrer redirecionamento de fluxos ou pressão de preços caso a barreira se mantenha por período prolongado.
O Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio preparam contra-argumentos para apresentar em fóruns bilaterais e na Organização Mundial do Comércio. A tese central será a de que a fundamentação do USTR fere regras de não discriminação ao vincular a alíquota a uma determinação presidencial genérica, sem demonstração de prática desleal específica do lado brasileiro.
Em 2024, o Brasil exportou US$ 37 bilhões para os Estados Unidos, com superávit de US$ 7 bilhões. A nova barreira eleva o custo de entrada e pode estimular compradores americanos a buscar fornecedores alternativos, o que afeta a previsibilidade de contratos de longo prazo nas cadeias de grãos e proteína animal.
A exposição explícita da motivação presidencial no documento oficial abre caminho para contestação jurídica e pressiona o diálogo diplomático nas próximas semanas.