Sete pacientes faleceram após receberem polilaminina em regime de uso compassivo no Brasil desde fevereiro. O tratamento, desenvolvido pela pesquisadora Tatiana Sampaio, passou a ser disponibilizado pelo Laboratório Cristália fora dos protocolos de pesquisa clínica. Mais de cem pessoas já foram submetidas à substância no país.
A disponibilização da polilaminina em uso compassivo começou após o laboratório obter autorização para fornecer o medicamento a pacientes sem alternativas terapêuticas, segundo reportagem do G1. A modalidade permite o acesso a fármacos ainda em investigação quando não há opções aprovadas para a condição do paciente.
A pesquisadora Tatiana Sampaio coordena os estudos com a substância e acompanha os desfechos dos casos. O uso compassivo difere de ensaios clínicos por não seguir protocolo controlado de randomização e cegamento, o que dificulta a avaliação sistemática de eficácia e segurança.
Órgãos de vigilância sanitária monitoram os relatos de eventos adversos graves associados à polilaminina. A morte de sete pacientes em poucos meses acende alerta sobre o perfil de risco do composto quando administrado fora do ambiente controlado de pesquisa.
Pacientes e familiares relatam ter buscado o tratamento diante de prognósticos reservados. A expansão do acesso antes da conclusão dos estudos de fase 3 gera debate entre especialistas sobre o equilíbrio entre esperança terapêutica e proteção da saúde pública.
A evolução dos casos reforça a necessidade de transparência nos dados de segurança e de critérios rigorosos para expansão de tratamentos experimentais.