Sergipe registrou a maior proporção de candidatas mulheres entre todos os estados nas Eleições Gerais de 2026. Das 408 candidaturas homologadas, 159 são de mulheres, o equivalente a 38,97% do total, segundo dados da Justiça Eleitoral.
O percentual coloca o estado à frente da média nacional, que gira em torno de 33%, e reflete regras partidárias que exigem destinação de recursos e tempo de propaganda para campanhas femininas. A legislação prevê cota mínima de 30%, mas Sergipe ultrapassou esse patamar com folga.
Segundo reportagem do G1, a Justiça Eleitoral sergipana atribui o resultado a fiscalização rigorosa das prestações de contas e a programas de formação política voltados para mulheres. Partidos que não cumprem a cota têm registro de chapa indeferido.
Em Goiás, a representação feminina nas chapas permanece abaixo da marca atingida pelo estado nordestino. Especialistas ouvidos pela imprensa nacional apontam que a diferença decorre, em parte, da aplicação menos uniforme das sanções previstas em lei.
A experiência sergipana mostra que a combinação de cobrança judicial, transparência nos repasses do fundo partidário e capacitação prévia de pré-candidatas eleva a competitividade real das mulheres. Replicar esse modelo em Goiás depende de articulação entre Ministério Público Eleitoral, tribunais regionais e dirigentes partidários locais.
O caso de Sergipe demonstra que a cota de gênero deixa de ser letra morta quando há consequência prática para o descumprimento. Para Goiás, o caminho passa por transformar a obrigação legal em prática partidária cotidiana.