O Senado do Paraguai aprovou por unanimidade o impeachment do presidente Santiago Peña na noite desta sexta-feira (6), e o Ministério Público decretou sua prisão logo em seguida. A detenção ocorreu em Assunção, onde manifestantes se concentram em frente ao Congresso.
A votação no plenário selou o afastamento definitivo de Peña, que governava o país desde 2023. Segundo reportagem do G1, a ordem de prisão partiu do Ministério Público paraguaio com base nas investigações sobre um esquema financeiro que levou à quebra do maior banco digital da nação, afetando milhares de correntistas.
O escândalo envolve suspeitas de desvio de recursos e lavagem de dinheiro por meio da instituição financeira, que teve as portas fechadas pelo Banco Central do Paraguai no início do ano. A investigação aponta para a participação de autoridades do alto escalão no esquema, o que acelerou o processo de impeachment no Congresso.
A praça em frente ao Parlamento, em Assunção, concentra manifestantes desde a tarde. Grupos favoráveis e contrários ao ex-presidente acompanham a movimentação policial, enquanto a polícia mantém esquema de segurança reforçado no entorno do prédio legislativo e da residência oficial.
O episódio cria um precedente institucional na América do Sul: pela primeira vez, um presidente eleito é destituído e preso no mesmo dia por decisão concomitante do Legislativo e do Ministério Público. Analistas ouvidos pela imprensa paraguaia avaliam que o desfecho testa a solidez do sistema de freios e contrapesos na jovem democracia do país.
A prisão de um chefe de Estado em exercício reforça a independência entre Poderes no Paraguai e sinaliza que instituições de controle podem atuar com celeridade diante de indícios robustos de corrupção.