O vice-presidente Pedro Alliana assumiu a presidência do Paraguai na sexta-feira, 6 de novembro de 2024, após o Congresso aprovar o impeachment de Santiago Peña. Horas antes, o ex-mandatário havia sido preso em Assunção no âmbito de investigação sobre gestão fraudulenta e crimes financeiros. A transição ocorre em meio a crise política que abala a estabilidade democrática do país.
O processo de afastamento foi concluído em tempo recorde. Deputados e senadores se reuniram em sessão extraordinária e votaram pela destituição de Peña por maioria qualificada, com base nas acusações de envolvimento em esquema de desvio de recursos públicos. A sessão durou menos de seis horas, desde a abertura do processo até a proclamação do resultado.
Segundo reportagem do G1, a prisão de Peña ocorreu no início da manhã, quando agentes do Ministério Público e da Polícia Nacional cumpriram mandado de busca e apreensão na residência oficial. O ex-presidente nega as acusações e classifica a ação como perseguição política. A defesa anunciou que recorrerá ao Supremo Tribunal de Justiça.
É a segunda vez em menos de duas décadas que o Paraguai vive um impeachment presidencial. Em 2012, Fernando Lugo foi destituído em processo relâmpago que durou 32 horas e gerou questionamentos internacionais sobre o devido processo legal. Desta vez, a presença de investigação criminal concomitante adiciona complexidade jurídica ao cenário.
A troca de comando ocorre em momento sensível para o Mercosul, bloco do qual o Paraguai é membro fundador. Alliana, político de carreira e ex-presidente da Câmara dos Deputados, sinalizou que manterá a política externa de alinhamento ao bloco, mas a instabilidade pode atrasar negociações comerciais em andamento.
A posse de Alliana encerra a fase aguda da crise institucional, mas o desfecho das investigações definirá se a transição consolida a normalidade democrática ou abre novo ciclo de incerteza no país vizinho.