Um estudo clássico da psicologia do esporte confirma que a trilha sonora certa altera a resposta do corpo durante o exercício. A escolha do gênero musical influencia a percepção de esforço, a cadência do movimento e o estado emocional de quem treina.
Publicado em 2009 pelo pesquisador Costas I. Karageorghis, o trabalho demonstra que faixas com tempo entre 120 e 140 batidas por minuto sincronizam-se com a frequência cardíaca de atividades moderadas a intensas, adiando a sensação de cansaço. Segundo reportagem do G1, a música atua como regulador atencional, desviando o foco de sinais internos de fadiga para estímulos externos rítmicos.
Em academias de Goiânia, a montagem de playlists reflete a identidade sonora da capital. O sertanejo universitário e o piseiro aparecem com força nas salas de musculação e aulas coletivas, muitas vezes em versões remixadas que elevam o BPM para a faixa de performance. Pop internacional, funk brasileiro e eletrônica completam o repertório mais tocado, segundo gestores de unidades consultados.
A preferência por ritmos regionais não é apenas cultural: a familiaridade melhora a adesão ao treino. Psicólogos do esporte explicam que canções conhecidas reduzem a carga cognitiva de processamento auditivo, liberando recursos mentais para a execução motora. O efeito é mais nítido em iniciantes, que relatam maior motivação ao reconhecer letras e melodias do cotidiano.
Plataformas de streaming mostram que playlists com termos como "treino sertanejo" ou "academia Goiânia" acumulam milhares de seguidores. O consumo local impulsiona a criação de curadorias específicas por estúdios e personal trainers da cidade, que ajustam a sequência de faixas conforme a fase do treino — aquecimento, pico e desaquecimento.
A ciência valida o que frequentadores de academias já intuíam: a música certa transforma o treino. Em Goiânia, o sertanejo adaptado ao ritmo do exercício prova que performance e identidade cultural podem caminhar juntas.