O Ministério da Saúde vai submeter à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) um medicamento injetável de longa duração para prevenção do HIV. A medida ocorre enquanto relatório do UNAIDS adverte que reduções no financiamento internacional podem reverter o controle da epidemia. No Brasil, os números de prevenção cresceram 41% nos dados consolidados mais recentes.
O fármaco, uma formulação injetável de cabotegravir, permite aplicação a cada dois meses e representa alternativa à profilaxia pré-exposição (PrEP) oral diária. A avaliação pela Conitec é etapa obrigatória para incorporação ao SUS, e a pasta sinaliza prioridade na análise dada a eficácia comprovada em estudos internacionais.
Segundo reportagem do G1, o diretor-geral do UNAIDS, Winnie Byanyima, alertou que cortes orçamentários de grandes doadores, sobretudo os Estados Unidos, colocam em risco o fornecimento de antirretrovirais e insumos de prevenção em países de renda média. O Brasil, embora tenha programa próprio de produção e distribuição, depende de insumos ativos importados e de cooperação técnica. A mesma publicação reproduz fala do ex-presidente argentino Alberto Fernández, que afirmou que o Brasil está em posição mais sólida que a Argentina no enfrentamento ao HIV, citando a universalidade do SUS e a capacidade de negociação de preços.
Dados do Ministério da Saúde mostram que a cobertura de PrEP no país expandiu 41% no período consolidado mais recente, refletindo ampliação de serviços e adoção de novas estratégias. A inclusão da versão injetável tende a reduzir barreiras de adesão, como a necessidade de tomada diária e o estigma associado ao frasco de comprimidos.
A avaliação da PrEP injetável pela Conitec marca passo concreto para modernizar a prevenção no SUS, mas o alerta do UNAIDS expõe a fragilidade de conquistas que dependem de fluxos financeiros globais instáveis.