Especialistas alertam que rotinas noturnas inadequadas estão entre as principais causas de noites mal dormidas no Brasil. A neurologista Andrea Bacelar, vice-presidente da Academia Brasileira do Sono, detalha os comportamentos que mais comprometem o descanso.
Segundo reportagem do Globo, o uso de telas antes de dormir, o consumo de cafeína no período noturno e a falta de horários regulares para deitar e acordar figuram entre os vilões mais frequentes. A luz azul dos dispositivos inibe a produção de melatonina, hormônio que regula o ciclo circadiano, enquanto a cafeína pode permanecer ativa no organismo por até seis horas.
O conceito de higiene do sono reúne práticas que preparam o corpo e o ambiente para o repouso. Manter o quarto escuro, silencioso e em temperatura amena, evitar refeições pesadas próximas à hora de dormir e criar um ritual de relaxamento — como leitura ou banho morno — são medidas recomendadas por sociedades médicas nacionais e internacionais.
Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 30% da população adulta relata queixas de insônia em algum momento da vida. A Fiocruz aponta que a privação crônica de sono eleva o risco de doenças cardiovasculares, diabetes e transtornos de ansiedade, além de reduzir a capacidade de concentração e a produtividade no trabalho.
Quando as mudanças de hábito não resolvem, a orientação é procurar um serviço especializado. A Associação Brasileira do Sono mantém lista de ambulatórios credenciados em diversas capitais, onde equipes multidisciplinares realizam polissonografia e definem condutas que podem incluir terapia cognitivo-comportamental ou tratamento farmacológico supervisionado.
Pequenos ajustes na rotina noturna costumam trazer melhora significativa já nas primeiras semanas. O acompanhamento médico se torna necessário quando a dificuldade persiste por mais de três meses.