Os Estados Unidos anunciaram em julho duas tarifas adicionais sobre produtos brasileiros: 25% baseados em investigação do USTR sobre práticas consideradas desleais e 12,5% por suposta fiscalização frágil de trabalho forçado. O governo brasileiro classificou as medidas como injustificadas e disse que adotará contramedidas.
A taxa de 25% decorre de inquérito do Escritório do Representante Comercial (USTR) que aponta subsídios e barreiras regulatórias como práticas desleais da economia brasileira. A sobretaxa de 12,5% atinge o Brasil e outros países sob a alegação de que a fiscalização do trabalho forçado nas cadeias produtivas seria insuficiente, segundo reportagem do G1.
Em nota conjunta, os ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio afirmaram que as acusações não têm fundamento e que o Brasil acionará os mecanismos de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio. A equipe econômica estuda ainda a possibilidade de retaliar setores sensíveis da pauta americana.
Goiás, segundo maior exportador de soja e um dos líderes nacionais em carne bovina, tem os Estados Unidos entre seus principais destinos. As novas alíquotas encarecem os produtos goianos no mercado americano e podem reduzir a competitividade frente a concorrentes como Argentina e Paraguai, que não foram alvo das mesmas medidas.
Em 2024, o estado embarcou para os EUA volumes expressivos de soja em grão e carne in natura, gerando divisas que sustentam cadeias logísticas e municípios do interior. Entidades do agronegócio goiano já cobram do governo federal agilidade na abertura de mercados alternativos e na conclusão do acordo Mercosul-União Europeia.
O histórico recente mostra que disputas tarifárias costumam se arrastar por anos na OMC. Enquanto o contencioso avança, exportadores goianos avaliam redirecionar cargas para a China e a União Europeia, embora a logística e os preços nessas rotas não compensem integralmente a perda do mercado americano.
As tarifas aumentam a incerteza para exportadores goianos enquanto Brasília define a estratégia de retaliação e busca diversificar destinos.