Estudantes que concluem o ensino médio na rede municipal de Goiânia chegam à vida adulta sem saber distinguir as atribuições do Legislativo, Executivo e Judiciário. A constatação parte de reportagem do Jornal Opção, que aponta a ausência de conteúdo estruturado sobre organização política no currículo regular.
A Secretaria Municipal de Educação confirma que não existe, hoje, disciplina obrigatória dedicada ao tema. O que há são menções dispersas em componentes como História e Sociologia, sem progressão pedagógica definida para garantir que o aluno compreenda, por exemplo, como um projeto de lei vira lei ou quais são os mecanismos de fiscalização do Congresso.
O Conselho Nacional de Educação (CNE) orienta que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) preveja competências de participação cidadã, mas a implementação cabe às redes. Em Goiás, a Secretaria Estadual de Educação afirma que vem discutindo a criação de itinerários formativos com foco em cidadania ativa para o novo ensino médio, ainda sem cronograma fechado.
Dados da PNAD Educação, do IBGE, mostram que apenas 34% dos jovens de 18 a 24 anos no Centro-Oeste declararam ter tido aulas sobre direitos constitucionais na escola. A lacuna reflete-se na baixa participação em conselhos escolares, audiências públicas e mecanismos de controle social disponíveis no município.
Especialistas ouvidos pela reportagem defendem que a inclusão de módulo específico — com carga horária protegida e avaliação diagnóstica — seria mais efetiva do que a abordagem transversal atual. A experiência de redes que adotaram disciplina eletiva de "Cidadania e Política" aponta para aumento no índice de alistamento eleitoral voluntário entre alunos de 16 e 17 anos.
Sem conhecimento básico sobre o funcionamento das instituições, a juventude goianiense fica distante das ferramentas que permitem cobrar direitos e influenciar decisões que afetam seu cotidiano.