O humorista Ed Gama participou do Papo de Segunda, do GNT, e declarou que se sente viciado em relações superficiais, conectando o comportamento à ideia de amores líquidos e à busca constante por dopamina. A entrevista foi ao ar na edição mais recente do programa.
Durante a conversa, Gama associou o padrão de encontros casuais à dinâmica de aplicativos e à gratificação imediata que eles proporcionam, descrevendo a sensação como um ciclo viciante. Ele usou o termo "amores líquidos", conceito do sociólogo Zygmunt Bauman, para nomear relações marcadas pela fluidez e pela fragilidade dos laços.
Segundo reportagem do Globo, o comediante também disse ter vontade de encontrar uma parceira e se casar, contrastando o desejo de estabilidade com a rotina atual de conexões efêmeras. A fala repercutiu nas redes sociais do artista e em portais de entretenimento como UOL Splash, Folha Ilustrada e O Globo Cultura.
Especialistas em comportamento relacionam o fenômeno à expansão de plataformas de encontro, que ampliam o repertório de opções e reduzem o custo de iniciar ou encerrar interações. O efeito, dizem, é uma sensação de abundância que dificulta o aprofundamento afetivo.
Em Goiânia, psicólogos ouvidos pelo Biscoitei em reportagens anteriores sobre o uso de apps de relacionamento apontam que a lógica do "match" rápido reforça a avaliação superficial de perfis e posterga conversas mais vulneráveis, padrão que ecoa o relato do humorista.
A fala de Ed Gama expõe um dilema contemporâneo: a tensão entre a facilidade de conexões instantâneas e a busca por vínculos duradouros.