Pesquisadores da Dakila Pesquisas utilizam drones equipados com sensores avançados para mapear os Caminhos de Peabiru, antiga rede de trilhas que conectava o litoral brasileiro ao interior do continente em direção à Cordilheira dos Andes. O trabalho de campo combina levantamento aéreo e análise de dados para identificar vestígios de percursos usados por povos indígenas antes da colonização europeia.
As aeronaves não tripuladas carregam equipamentos de LiDAR e fotogrametria capazes de penetrar a cobertura vegetal e gerar modelos tridimensionais do terreno com precisão centimétrica. A tecnologia permite cobrir extensões de difícil acesso a pé, acelerando a localização de sulcos, marcos de pedra e alterações no solo que indicam passagem humana antiga. Segundo reportagem do G1, o projeto conta com apoio do IPHAN e colaboração do Departamento de Antropologia da Universidade Federal de Goiás.
Os Caminhos de Peabiru funcionavam como corredores de circulação de pessoas, mercadorias e saberes entre diferentes grupos indígenas, ligando o Atlântico às bacias do Prata e do Amazonas e, dali, aos contrafortes andinos. Registros coloniais e tradições orais mencionam a rota, mas sua extensão exata e ramificações permaneciam em grande parte conjecturais até a aplicação de sensoriamento remoto em larga escala.
Artigos publicados no Journal of Archaeological Science e na Revista Pesquisa FAPESP detalham a metodologia de cruzamento de dados aéreos com informações etno-históricas e achados arqueológicos de superfície. A abordagem multidisciplinar envolve arqueólogos, geógrafos, antropólogos e especialistas em sensoriamento remoto, coordenados pelo Portal da Ciência do MCTI.
O mapeamento sistemático subsidia políticas de proteção de sítios arqueológicos ameaçados por expansão agrícola, obras de infraestrutura e garimpo. A identificação precisa dos traçados permite ao IPHAN delimitar áreas de preservação e orientar licenciamentos ambientais com base em evidências concretas, não apenas em referências bibliográficas dispersas.
A união de drones e arqueologia abre caminho para recompor a malha de mobilidade indígena que estruturou o continente sul-americano séculos antes das fronteiras atuais.