O Brasil caminha para registrar em 2026 o maior número de raios da série histórica, com projeção de aumento de 17% nas descargas atmosféricas. Na madrugada desta sexta-feira, uma tempestade intensa atingiu Goiânia e a Região Metropolitana, deixando bairros sem luz por horas e causando danos a pequenos negócios.
Segundo reportagem do G1, o Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT/INPE) aponta que o país deve superar a marca histórica de incidência de raios ainda neste ano. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) confirma que a combinação de calor excessivo e umidade elevada tem favorecido a formação de nuvens de tempestade mais carregadas em várias regiões.
Em Goiânia, a comerciante Elisângela Caetano viu a fábrica de salgados ficar sem energia por quase 20 horas. O equipamento de refrigeração parou e a produção do dia — cerca de mil unidades — foi perdida. O prejuíço direto atinge o fluxo de caixa de um negócio que depende de entrega diária para manter as contas em dia.
A Equatorial Energia Goiás informou que equipes trabalharam durante a madrugada para restabelecer o fornecimento nos pontos mais afetados. A Defesa Civil de Goiânia registrou chamados por quedas de árvores e alagamentos pontuais, mas não houve relatos de feridos. O órgão orienta a população a evitar áreas abertas durante tempestades e a desligar aparelhos da tomada.
Especialistas ouvidos pelo ELAT indicam que o aumento das descargas atmosféricas segue tendência observada na última década, associada a mudanças nos padrões climáticos. O ano de 2023 já havia registrado números elevados, e 2026 caminha para superá-los com folga, o que exige adaptação na infraestrutura elétrica e nos planos de contingência municipais.
O episódio expõe a vulnerabilidade da rede elétrica diante de eventos climáticos mais frequentes e intensos, desafiando empresários e gestores públicos a buscar soluções de resiliência.