A aposentada Else Pazin, de 89 anos, exerceu o direito ao voto no primeiro turno das eleições municipais em Urupês, no interior de São Paulo, e pretende repetir o gesto no segundo turno. Testemunha da ditadura militar e da redemocratização brasileira, ela define a participação nas urnas como ato fundamental.
No dia 4 de outubro, Else compareceu à seção eleitoral acompanhada de familiares e votou sem dificuldades, segundo reportagem do G1. A idosa nasceu em 1935 e atravessou o período autoritário iniciado em 1964, a abertura política dos anos 1980 e a promulgação da Constituição de 1988.
Em depoimento, ela afirmou que considera o voto uma conquista que não pode ser desprezada. "Acho importante", disse, ao explicar por que mantém o hábito de votar mesmo com a idade avançada e a opção legal de se abster a partir dos 70 anos.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que eleitores acima de 70 anos representam parcela crescente do eleitorado, mas a abstenção nessa faixa etária ainda supera a média nacional. Especialistas em ciência política apontam que o exemplo de eleitores como Else contribui para fortalecer a cultura democrática entre as novas gerações.
A reportagem ressalta que a lucidez e a disposição de Else para ir às urnas contrastam com o discurso de descrença política que circula em parte da sociedade. Seu relato conecta a memória da repressão ao exercício cotidiano da cidadania.
A atitude de eleitoras como Else reforça o valor do voto como conquista histórica mantida viva pela memória de quem viveu a ausência de democracia.