A atriz Millie Bobby Brown anunciou em outubro de 2023 a chegada do segundo filho por adoção, ao lado do marido Jake Bongiovi. A notícia, divulgada pela revista People, juntou-se a uma série de casos de celebridades que tornaram público o caminho adotivo para formar família.
Segundo reportagem do Globo, a exposição de adoções por figuras públicas tem efeito duplo: amplia o conhecimento sobre a existência do instituto, mas pode criar expectativas distorcidas sobre prazos, burocracia e perfil das crianças disponíveis no Brasil. No país, o processo é conduzido pela Justiça da Infância e da Juventude e exige habilitação, estágio de convivência e avaliação psicossocial.
Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que, em 2023, havia mais de 30 mil pretendentes habilitados para cerca de 5 mil crianças e adolescentes aptos à adoção. A maior parte dos disponíveis tem mais de 8 anos, faz parte de grupos de irmãos ou possui necessidades de saúde específicas — perfis que divergem dos recém-nascidos frequentemente associados a adoções de celebridades na mídia internacional.
Em Goiânia, varas da Infância e da Juventude realizam periodicamente encontros de preparação para pretendentes e campanhas de apadrinhamento afetivo. Juízes da capital ressaltam que a visibilidade midiática ajuda a combater o estigma, mas reforçam que cada caso segue rito próprio, sem atalhos concedidos por notoriedade ou recursos financeiros.
Entidades de apoio a famílias adotivas, como o Grupo de Apoio à Adoção de Goiás (GAAG), utilizam exemplos públicos para abrir rodas de conversa e desmistificar etapas como a busca ativa e o acolhimento institucional. A estratégia é transformar curiosidade gerada pela fama em informação qualificada para quem de fato pretende adotar.
A repercussão de adoções famosas abre portas para o diálogo, mas o caminho real exige preparo, paciência e respeito ao tempo da criança — independentemente de quem sejam os pais.