A rede pública de saúde mental de Goiânia registra crescimento expressivo na demanda por atendimento psiquiátrico nos últimos dois anos. Unidades de referência e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) ampliaram escalas de plantão e contrataram profissionais para reduzir o tempo de espera na primeira consulta.
Segundo reportagem do G1, o aumento da procura reflete tanto a maior conscientização sobre transtornos como depressão e ansiedade quanto o agravamento de quadros pós-pandemia. Dados do SUS mostram que os CAPS da capital atenderam 38% mais pacientes em 2024 na comparação com 2022, com destaque para transtornos de humor e uso de substâncias.
A Secretaria Municipal de Saúde respondeu com a abertura de dois novos CAPS AD (álcool e drogas) nas regiões Noroeste e Sul, além da ampliação do horário de funcionamento de três unidades que agora operam até as 22h. Equipes multiprofissionais ganharam reforço de psiquiatras, psicólogos e terapeutas ocupacionais via concurso e contratação temporária.
Paralelamente, a pasta lançou a campanha "Mente Aberta" em parceria com a Associação Brasileira de Psiquiatria e o Conselho Regional de Medicina. A iniciativa leva rodas de conversa a escolas, empresas e unidades básicas para desmistificar o tratamento medicamentoso e incentivar o encaminhamento precoce. Materiais informativos também circulam em terminais de ônibus e redes sociais.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o estigma continua sendo a principal barreira. Muitos pacientes chegam aos serviços apenas em estágios avançados, após tentativas de automedicação ou isolamento social. O diagnóstico tardio aumenta o risco de internações prolongadas e dificulta a reinserção no trabalho e na convivência familiar.
A expansão da rede e as ações de enfrentamento ao preconceito são passos concretos, mas gestores admitem que a fila por acompanhamento contínuo ainda exige investimento sustentado em recursos humanos e infraestrutura.