Mulheres das comunidades quilombolas de Rasa, São Jacinto e Botafogo, em Cabo Frio (RJ), participaram de encontros semanais do projeto Prolagos, realizados às quintas-feiras na Casa Scliar, onde aprenderam técnicas de cerâmica e trocaram experiências.
As atividades ocorreram todas as quintas-feiras, com início em maio, e contaram com transporte por ônibus que saía das comunidades Rasa, São Jacinto e Botafogo em direção à Casa Scliar, no centro de Cabo Frio. Lá, as participantes foram recebidas pela equipe do projeto Prolagos, que ensinou técnicas básicas de modelagem e queima de argila. Além das aulas práticas, houve momentos de roda de conversa, onde as mulheres puderam compartilhar histórias de suas trajetórias e saberes familiares.
Segundo reportagem do G1, o acesso às reuniões era feito por ônibus que percorria as três comunidades, permitindo que as participantes compartilhassem aprendizado de cerâmica, conversas, brincadeiras e trocas de experiências a partir de maio. As peças produzidas variaram de utilitários, como tigelas e potes, a objetos decorativos que remetem à identidade cultural quilombola. O projeto também ofereceu material didático e apoio logístico para que as mulheres pudessem continuar produzindo após o término dos encontros.
A iniciativa está alinhada a ações de valorização da cultura afro-brasileira reconhecidas por instituições como o IPHAN, que apoia a preservação de saberes tradicionais de comunidades quilombolas em todo o país. Especialistas destacam que espaços de encontro feminino fortalecem redes de apoio, contribuindo para a autonomia econômica e a transmissão intergeracional de conhecimentos. No caso de Cabo Frio, a união entre artesanato e diálogo foi apontada como fator chave para o engajamento das participantes.
Embora o projeto tenha sido desenvolvido no Rio de Janeiro, seu modelo de oficinas comunitárias e transporte acessível pode servir de referência para iniciativas semelhantes em comunidades goianas que buscam fortalecer laços femininos e preservar técnicas artesanais locais. A troca de experiências entre regiões pode ampliar o impacto dessas ações, incentivando a criação de redes de apoio que vão além das fronteiras estaduais.
Experiências como o Prolagos mostram como a união entre arte, educação e mobilidade pode gerar benefícios concretos para mulheres de comunidades tradicionais, ao mesmo tempo em que preserva patrimônios culturais valiosos. A replicação desse formato em outros contextos depende do apoio de poder público e de parcerias com organizações da sociedade civil.