O cantor goiano MC Leozinho ZS, de 26 anos, colocou a faixa 'Tá Pedindo Toma' na quarta posição das músicas mais reproduzidas do Spotify no Brasil. Cego desde os oito meses de vida em decorrência de meningite, ele transformou a trajetória na periferia de Goiânia em repertório que agora ecoa em escala nacional.
O single integra o álbum 'Na Contramão', lançado em julho de 2024, e ultrapassou nomes consolidados do funk e do pop nas paradas da plataforma. O feito coloca um artista da cena periférica goiana em destaque num ranking dominado por grandes gravadoras e campanhas de marketing pesado.
Em entrevista ao G1, Leozinho contou que lida com a cegueira de forma leve e que costuma ouvir das pessoas que 'nem acreditam que sou cego'. A deficiência nunca o impediu de compor, produzir e se apresentar — o artista aprendeu a se orientar nos palcos e no estúdio com autonomia.
A ascensão dele reacende o debate sobre acessibilidade na indústria fonográfica. Em Goiânia, onde a cultura de rua e o funk de favela movimentam bairros inteiros, ainda faltam estruturas adaptadas em casas de show, estúdios e festivais para que artistas com deficiência tenham as mesmas condições de trabalho.
O caso também expõe a força do algoritmo quando o conteúdo vem de quem vive a realidade que canta. Leozinho não usa a deficiência como mote de marketing; ela está na biografia, mas a música fala de baile, de rua, de desejo — temas que conectam com o público jovem independentemente de rótulos.
A entrada no top 5 mostra que a plateia está pronta para consumir arte feita na margem sem filtros de piedade. Resta à indústria acompanhar o ritmo.