A Maternidade de Campinas, unidade do SUS no interior paulista, encerrou 2026 sem registrar uma única laqueadura realizada durante cesariana. A informação consta nos dados de produção hospitalar do Ministério da Saúde e foi divulgada em reportagem do G1.
A legislação garante à mulher o direito à esterilização voluntária a partir dos 25 anos ou com dois filhos vivos, e o procedimento pode ser feito no mesmo ato do parto cesariano. Na prática, porém, a maternidade campineira não ofertou a cirurgia em nenhum dos partos cirúrgicos realizados ao longo do ano.
Mulheres que buscaram o serviço relataram à reportagem terem recebido respostas negativas da equipe da unidade. Algumas disseram ter sido orientadas a procurar outro hospital ou a aguardar agendamento posterior, o que na prática adia ou impede o acesso ao método definitivo.
A Secretaria Municipal de Saúde de Campinas foi procurada e não detalhou os motivos da ausência de registros. O Ministério da Saúde reforça que a laqueadura em cesariana é prevista na tabela de procedimentos do SUS e deve ser ofertada nas maternidades credenciadas.
A situação expõe uma lacuna entre a norma federal e a rotina de serviços locais. Especialistas em planejamento familiar apontam que a recusa ou a postergação do procedimento fere a autonomia reprodutiva e pode levar a gestações não planejadas, com impacto direto na saúde da mulher e na rede de atenção básica.
O caso da Maternidade de Campinas ilustra como barreiras institucionais podem tornar ineficaz um direito garantido por lei. A fiscalização do cumprimento das normas do SUS segue como ponto central para garantir o acesso efetivo.