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Entretenimento

Mariana Matsui estreia com álbum que resgata 'Mentira' de Marcos Valle e 'Fotografia' de Tom Jobim

Disco de estreia da cantora nipo-brasileira revisita repertório censurado nos anos 1970 e dialoga com a memória da MPB

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Redação Biscoitei
23 de outubro de 2026, 13:02 2 min de leitura
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Mariana Matsui estreia com álbum que resgata 'Mentira' de Marcos Valle e 'Fotografia' de Tom Jobim
Foto: Reprodução/og:image

A cantora nipo-brasileira Mariana Matsui lança seu álbum de estreia revisitando clássicos da MPB dos anos 1970, entre eles 'Mentira', de Marcos Valle, faixa que integrou o disco 'Previsão do tempo' (1973) gravado sob a ditadura militar com participação do trio Azymuth. O trabalho chega às plataformas de streaming com produção que destaca o diálogo entre gerações da música brasileira.

Originalmente lançada em 1973, 'Mentira' circulou em meio ao cerco da censura e ganhou nova leitura na voz de Matsui, que mantém a atmosfera da gravação original — marcada pela fusão de MPB, jazz-funk e psicodelia proposta pelo Azymuth — sem reproduzir o arranjo de forma literal. O álbum de estreia da artista foi concebido como um resgate de composições que marcaram época, mas que permaneceram à margem do grande circuito radiofônico.

Segundo reportagem do G1, o projeto nasceu da vontade de Matsui de apresentar ao público contemporâneo canções que carregam camadas históricas e estéticas. Além de 'Mentira', o repertório inclui 'Fotografia', de Tom Jobim, e outras faixas que compõem um painel da produção autoral dos anos 1970, período em que a música popular brasileira conviveu com restrições políticas e efervescência criativa.

A cantora, de ascendência japonesa, construiu trajetória em circuitos independentes e em colaborações com instrumentistas da nova geração antes de gravar o disco de estreia. A escolha do repertório reflete pesquisa sobre o cancioneiro do período e a intenção de tensionar a ideia de 'canção de protesto', mostrando que a resistência também se fez na sofisticação harmônica e na poesia do cotidiano.

O lançamento ocorre em momento de reedições e homenagens a álbuns fundamentais da década de 1970, movimento que tem levado selos e plataformas a disponibilizar catálogos antes restritos ao vinil. Para Matsui, o disco funciona como porta de entrada para ouvintes que não viveram a época, mas que encontram nas letras e nos arranjos questões ainda atuais — da vigilância estatal às relações afetivas mediadas por imagens.

Com produção cuidadosa e repertório que une nomes como Marcos Valle e Tom Jobim, o álbum de estreia de Mariana Matsui se apresenta como ponte entre a MPB histórica e a nova cena autoral brasileira.

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