Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu o quarto mandato presidencial diante de um cenário institucional adverso. O Congresso eleito em 2026 tem maioria de centro-direita e oposição declarada, o Supremo Tribunal Federal vive disputas internas expostas publicamente e a equipe econômica precisa conciliar expansão de programas sociais com metas de resultado primário.
A composição da Câmara e do Senado impõe ao Planalto a necessidade de construir maiorias pontuais, voto a voto, sem a base automática de legislaturas anteriores. Líderes do Centrão e da direita já sinalizam que pautas como reforma tributária, marco fiscal e indicações para tribunais superiores dependerão de negociação caso a caso, o que alonga tramitações e aumenta o custo político de cada aprovação.
No Judiciário, a crise aberta entre ministros do STF — com troca de acusações em sessões públicas e vazamentos de conversas reservadas — fragiliza a Corte como arena de mediação de conflitos federativos. Segundo reportagem do G1, a instabilidade interna já adiou julgamentos sensíveis e pode afetar a definição de precedentes sobre temas como responsabilidade fiscal de estados e validade de medidas provisórias.
A equipe econômica, chefiada por Fernando Haddad, apresentou nas primeiras semanas um pacote de revisão de gastos obrigatórios e meta de superávit primário de 0,5% do PIB para 2027. O desafio é avançar sem cortar programas que sustentam a popularidade do governo, como Bolsa Família, Farmácia Popular e reajuste real do salário mínimo, promessas centrais da campanha vitoriosa.
Governadores de estados endividados, especialmente no Nordeste e no Rio Grande do Sul, pressionam por renegociação de dívidas com a União e liberação de emendas parlamentares. A resposta federal a essas demandas será teste imediato da capacidade de articulação do Palácio do Planalto com bancadas regionais que não seguem orientação partidária única.
O êxito do mandato dependerá da habilidade de transformar minoria parlamentar em maiorias funcionais e de manter a credibilidade do arcabouço fiscal sem paralisar a máquina pública.