Em recente publicação na revista Brain Medicine, a neuropsicofarmacologista Gabriella Gobbi, da Universidade McGill, destacou que o lucro, e não a ciência, está determinando quais medicamentos psiquiátricos chegam aos pacientes. Segundo Gobbi, essa tendência é preocupante e afeta diretamente sistemas de saúde como o SUS em Goiás.
De acordo com dados da Fiocruz, a demanda por saúde mental no Brasil aumentou significativamente após a pandemia de COVID-19, com mais casos de depressão e ansiedade. No entanto, a priorização de medicamentos mais lucrativos pode limitar o acesso a novas terapias, conforme relatado pelo G1.
Em Goiás, a rede de atenção psicossocial enfrenta desafios devido à escassez de tratamentos inovadores. A cidade de Goiânia, por exemplo, conta com uma extensa rede de CAPS, mas a sobrecarga é evidente. A falta de novas opções terapêuticas pode agravar a situação, deixando os serviços ainda mais pressionados.
O alerta de Gobbi revela um dilema ético no desenvolvimento farmacêutico: o capital de risco busca retornos rápidos, priorizando medicamentos de uso crônico e de grande mercado. Isso resulta em menos alternativas para doenças mentais comuns, como depressão e ansiedade, que continuam a ser tratadas com antidepressivos e ansiolíticos tradicionais.
Para a população de Goiás, essa realidade significa menos alternativas de tratamento e diagnósticos menos precisos. Sem mudanças, o acesso a terapias modernas e eficazes permanecerá restrito, perpetuando as barreiras no sistema público de saúde.