O ministro Luiz Fachin, então presidente do Supremo Tribunal Federal, reagiu às críticas do presidente argentino Javier Milei ao ministro Alexandre de Moraes durante convenção de apoio a Flávio Bolsonaro realizada em 28 de junho de 2022. Fachin classificou a manifestação como interferência indevida na soberania do Judiciário brasileiro.
A convenção, organizada por aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), reuniu lideranças da direita no Brasil e contou com participação virtual de Milei, que à época era deputado na Argentina. Em seu discurso, o argentino atacou Moraes, relator de inquéritos que apuram atos antidemocráticos, e defendeu anistia aos envolvidos nos episódios de 8 de janeiro.
Segundo reportagem do Mais Goiás, a resposta de Fachin veio em nota oficial do tribunal, na qual o ministro afirmou que "o Supremo não aceita lições de estrangeiros sobre como conduzir sua jurisdição constitucional". A declaração marcou raro posicionamento direto de um presidente do STF contra chefe de Estado de outro país.
O episódio ocorreu em meio a tensão entre o Judiciário brasileiro e setores da oposição, que questionavam decisões de Moraes no inquérito das fake news e nas investigações sobre atos golpistas. A fala de Milei foi celebrada por bolsonaristas como apoio internacional à narrativa de perseguição política.
Quatro anos depois, o episódio é lembrado como um dos primeiros sinais da alinhamento entre a direita brasileira e a argentina, que se consolidou com a eleição de Milei à presidência em 2023. A relação entre os dois países passou a ter atritos institucionais, especialmente em temas como Mercosul e direitos humanos.
A reação de Fachin reforçou a posição do STF de não tolerar ingerência externa em seus processos internos, princípio que segue orientando a Corte em eventuais atritos diplomáticos.