O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) divulgou os resultados da edição de 2025, aplicada em 91 países. Os dados mostram que estudantes brasileiros de 15 anos continuam com desempenho inferior à média das nações mais desenvolvidas em leitura, matemática e ciências, com avanços marginais na última década.
A prova, coordenada pela OCDE e aplicada no Brasil pelo Inep, revela que o país permanece no grupo de nações com desempenho abaixo da média em todas as três áreas avaliadas. A distância para a média dos países desenvolvidos se manteve praticamente inalterada desde 2015, indicando que as políticas educacionais adotadas no período não produziram saltos significativos de qualidade.
Segundo reportagem do G1, baseada nos boletins da OCDE e do Inep, o Brasil figurou entre as 20 últimas posições no ranking geral de proficiência. A estagnação ocorre mesmo com a expansão do acesso ao ensino médio nos últimos anos, o que sugere que a universalização da matrícula não veio acompanhada de melhoria equivalente na aprendizagem.
Especialistas ouvidos pela OCDE apontam que a desigualdade socioeconômica segue como principal fator explicativo para os resultados. Estudantes das camadas mais pobres apresentam defasagem de até três anos escolares em relação aos mais ricos, padrão que se repete em todas as edições do exame desde 2000.
O impacto prático aparece na transição para o ensino superior e no mercado de trabalho: a baixa proficiência em leitura e matemática limita o acesso a cursos técnicos e universitários de alta demanda, além de reduzir a produtividade futura da força de trabalho brasileira.
Os resultados reforçam a necessidade de políticas educacionais sustentadas, com foco em qualidade do ensino e redução das desigualdades, para aproximar o Brasil dos padrões internacionais de aprendizagem.