Vitor Gabriel Santos, pernambucano de 18 anos, foi aprovado em dois cursos de universidades federais, mas enfrentou preconceito no vestibular e na vida acadêmica. Com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1, ele exige que a inclusão vá além das cotas, com adaptações reais. Seu caso revela os desafios de estudantes autistas no ensino superior, especialmente em Goiás, onde a UFG sofre críticas pela falta de suporte.
Vitor Gabriel Santos conquistou vagas em duas instituições federais, mas encontrou barreiras desde a inscrição nos vestibulares, como editais não adaptados e funcionários despreparados. No ambiente universitário, ele relata que as ações de inclusão são superficiais, sem mudanças práticas nas salas de aula ou nos serviços de apoio psicopedagógico.
Segundo o G1, Vitor se mobiliza para pressionar as universidades a adotarem medidas concretas. Ele participa de grupos de advocacy e busca reitorias para propor um plano com capacitação de professores, adaptação de avaliações e suporte especializado. 'Não adianta ter vaga se não há condições de permanência', afirma.
O caso reflete uma questão nacional: os dados do INEP indicam crescimento na matrícula de estudantes com deficiência nas federais, mas a permanência ainda é incerta. Em Goiás, a Associação de Pais e Amigos dos Autistas (APAG) alerta que a falta de suporte leva muitos a abandonarem os cursos. 'As universidades precisam entender que inclusão é mais do que cumprir cota', diz a presidente da APAG, Mariana Costa.
A Lei de Cotas (13.409/2017) garantiu reserva de vagas, mas as políticas complementares são incipientes. Muitas instituições se limitam ao número, sem criar ambientes verdadeiramente inclusivos, o que resulta em desistências frequentes, segundo a APAG. A formação docente e a adaptação curricular são apontadas como pontos críticos, muitas vezes negligenciados.
Na UFG, o Núcleo de Acessibilidade existe, mas alunos em sigilo reclamam de ações pontuais e da ausência de respostas às demandas específicas. Uma estudante de psicologia com autismo contou que professores ignoram pedidos de adaptação e há preconceito entre colegas. 'Me sinto invisível', desabafou. A UFG não se pronunciou sobre as críticas.
A luta de Vitor Gabriel evidencia que a inclusão no ensino superior ainda é uma promessa distante da realidade. Para estudantes autistas, é essencial ir além das cotas e investir em suporte contínuo e capacitação institucional.