Escolas da rede pública e particular de Goiânia estão reorganizando propostas pedagógicas do berçário ao ensino fundamental para atender à Base Nacional Comum Curricular. A transição substitui o antigo modelo de conteúdos por série por um trabalho centrado no desenvolvimento integral da criança, abrangendo dimensões cognitiva, socioemocional e física.
A Secretaria Municipal de Educação orienta as unidades a estruturar planejamentos por ciclos de desenvolvimento, não mais por séries isoladas. Isso permite que cada criança avance no próprio ritmo, com avaliações contínuas e qualitativas em vez de provas padronizadas por idade.
Segundo reportagem do G1, a Nova Escola Sorocaba, em São Paulo, já concluiu processo semelhante e tornou-se referência nacional. A instituição reorganizou espaços, rotinas e formação docente para garantir que a pedagogia dialogue com as necessidades reais de cada faixa etária, do berçário ao nono ano.
A Base Nacional Comum Curricular, homologada em 2017, define competências e habilidades que devem ser desenvolvidas progressivamente. O documento exige que as escolas articulem conhecimentos, práticas e atitudes, superando a fragmentação por disciplinas que marcava o currículo anterior.
Dirigentes municipais de educação, reunidos na Undime, apontam que a formação continuada de professores é o maior desafio da implementação. Em Goiânia, a secretaria lançou programa de capacitação com foco em mediação pedagógica, documentação do aprendizado e parceria com famílias.
A mudança impacta diretamente a rotina de mais de 80 mil estudantes da capital. Pais relatam que as reuniões escolares agora trazem relatos detalhados sobre o percurso da criança, com registros fotográficos, portfólios e observações sobre interações, linguagem e autonomia.
A adequação ao novo marco curricular representa avanço na qualidade do ensino oferecido às crianças goianienses, alinhando a prática pedagógica às evidências contemporâneas sobre como se aprende na infância.