Um estudo publicado na PNAS em 2023 revelou que conviver com pessoas consideradas difíceis pode acelerar o envelhecimento biológico em até dois anos e agravar doenças crônicas como diabetes e hipertensão. A pesquisa analisou dados de 5.000 idosos nos EUA ao longo de quatro anos, correlacionando redes sociais com marcadores epigenéticos.
Pesquisa publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) em 2023 investigou a relação entre redes sociais e envelhecimento biológico. Utilizando dados do Health and Retirement Study, que acompanhou 5.000 americanos com média de 70 anos por quatro anos, os cientistas aplicaram um relógio epigenético para medir a aceleração do envelhecimento. Os resultados mostraram que conviver com pessoas exigentes ou difíceis está associado a um envelhecimento biológico até dois anos mais avançado em comparação com redes de apoio positivo.
Segundo o G1, que divulgou a pesquisa, esse tipo de convívio estressante também piora condições crônicas preexistentes, como diabetes tipo 2 e hipertensão arterial. O estresse relacional crônico, segundo os pesquisadores, atua como um fator que pode exacerbar essas doenças. A análise identificou uma correlação direta entre a tensão nas relações e a progressão dessas enfermidades.
Estudos anteriores já haviam associado o estresse psicológico a marcadores de saúde, mas esta é uma das primeiras análises a ligar diretamente a qualidade das relações sociais a medidas biológicas de envelhecimento. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) destaca que o estresse é um determinante social da saúde nas Américas, contribuindo para a carga de doenças crônicas. Essa perspectiva reforça a necessidade de abordagens que considerem o contexto social na prevenção de doenças.
Em Goiás, onde doenças crônicas como hipertensão afetam cerca de 30% da população adulta, segundo dados do Datasus, o achado ganha relevância especial. A Secretaria de Saúde do Estado aponta que o diabetes também é uma preocupação crescente. Para a capital goiana, o estudo sugere que políticas de saúde mental e suporte psicossocial podem ser estratégias para reduzir o impacto dessas doenças no sistema público. A integração entre ações de promoção da saúde e apoio social pode aliviar a sobrecarga do SUS local.
A pesquisa reforça a necessidade de integrar o suporte social às estratégias de saúde pública, especialmente em regiões com alta prevalência de doenças crônicas como Goiânia.