Uma investigação do Fantástico revelou que advogados vêm inserindo comandos invisíveis em petições judiciais para direcionar decisões de ferramentas de inteligência artificial utilizadas por juízes. A prática foi identificada em diferentes tribunais e já chegou ao conhecimento do Supremo Tribunal Federal.
Segundo reportagem do G1, os comandos são inseridos em trechos que não aparecem na visualização normal do documento, mas são lidos pelos sistemas de IA que auxiliam na análise processual. A técnica busca criar viés algorítmico favorável à parte que protocolou a peça.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Associação dos Notários e Registradores do Brasil (ANREGOR) foram acionados para avaliar medidas de contenção. A integridade do processo digital passa a depender de mecanismos que identifiquem camadas ocultas de texto antes da leitura automatizada.
Em Goiás, o Tribunal de Justiça já emite orientações sobre o uso ético da tecnologia nos gabinetes. A corte reforça a necessidade de verificação humana nas decisões apoiadas por IA, de modo a neutralizar tentativas de manipulação que comprometam a isenção do julgamento.
A descoberta acende alerta para a vulnerabilidade de sistemas que ganham espaço na rotina forense. Sem barreiras técnicas eficazes, decisões sobre liberdade, patrimônio e direitos fundamentais podem ser influenciadas por instruções que nem o magistrado percebe.
O episódio mostra que a modernização do Judiciário exige protocolos de segurança tão robustos quanto a inovação tecnológica que a impulsiona.