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Brasil

Chanceler alemão alerta para avanço da extrema direita após vitória em Saxônia-Anhalt

Primeira vitória de partido radical em eleição estadual desde 1945 altera equilíbrio político e preocupa líderes europeus

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Redação Biscoitei
08 de setembro de 2026, 15:00 2 min de leitura
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Chanceler alemão alerta para avanço da extrema direita após vitória em Saxônia-Anhalt
Foto: Reprodução/og:image

O chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, classificou como sinal de alerta para a Europa a vitória inédita de um partido de extrema-direita na eleição estadual de Saxônia-Anhalt, realizada no domingo (6). O resultado marca a primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial que uma legenda radical conquista o primeiro lugar em um pleito regional no país. Líderes de outros países do continente manifestaram preocupação com o avanço de movimentos nacionalistas.

O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve a maior bancada no parlamento de Saxônia-Anhalt, estado de pouco mais de 2 milhões de habitantes no território da antiga Alemanha Oriental. O desempenho superou a coalizão de governo federal e partidos tradicionais, invertendo a correlação de forças que prevalecia desde a reunificação. A legenda, monitorada por órgãos de inteligência doméstica por tendências anticonstitucionais, capitalizou o descontentamento com políticas de imigração e transição energética.

Segundo reportagem do G1, a reação em capitais europeias foi imediata. O presidente francês, Emmanuel Macron, e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, divulgaram notas separadas cobrando vigilância democrática e coordenação entre Estados-membros para conter discursos de ódio. Em Bruxelas, a Comissão Europeia convocou reunião extraordinária do grupo de trabalho sobre Estado de direito para avaliar riscos de contágio político.

Especialistas ouvidos pelas agências internacionais apontam que o marco histórico não se resume ao resultado eleitoral, mas à normalização de pautas antes confinadas à margem do debate público. A entrada da AfD no governo estadual — ainda que como oposição majoritária — obriga partidos centristas a negociar pautas de segurança e fronteiras sob pressão de uma base radicalizada. O fenômeno replica padrão observado na Suécia, na Itália e nos Países Baixos nos últimos ciclos.

Para a ciência política alemã, a eleição em Saxônia-Anhalt funciona como laboratório do que pode ocorrer no pleito federal de 2027. A fragmentação do eleitorado no leste do país, combinada à estagnação econômica regional, cria solo fértil para narrativas de exclusão. O desafio imediato para Berlim é evitar que a vitória local seja lida como mandato para rupturas institucionais.

O desfecho em Saxônia-Anhalt expõe a fragilidade do consenso pós-guerra e testa a capacidade das democracias europeias de responder a demandas legítimas sem ceder a atalhos autoritários.

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