O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu aos 95 anos na terça-feira (22) no Rio de Janeiro. Autor de obras que retrataram momentos decisivos da história recente do Brasil, ele ocupava a cadeira 34 da Academia Brasileira de Letras desde 2014.
A trajetória de Zuenir Ventura atravessa a consolidação do jornalismo moderno no país. Começou como repórter nos anos 1950 e construiu obra que mistura reportagem de fôlego, ensaio e memória, com livros como "1968: O Ano que Não Terminou" e "A Guerra da Rua Maria Antônia".
Segundo reportagem do G1, a morte foi confirmada por veículos nacionais na manhã desta quarta-feira. O velório está previsto para a sede da ABL, no centro do Rio, com enterro no Cemitério São João Batista.
Eleito imortal em 2014, sucedeu o também jornalista Antonio Callado. Na academia, manteve a prática de escrever crônicas semanais para jornais de grande circulação até os últimos meses de vida, atividade que via como extensão natural do ofício de repórter.
A produção de Ventura serve de referência em cursos de comunicação por aliar apuração rigorosa a linguagem literária. Seu método de trabalho — ouvir longamente, checar detalhes, escrever com precisão — continua ensinando gerações de profissionais.
A partida de Zuenir Ventura encerra um ciclo de sete décadas dedicadas a contar o Brasil com olhar atento e palavra medida. Seu legado permanece nas redações, nas salas de aula e nas estantes de quem busca entender o país pela reportagem.