Cinquenta dias após a liberação das vaquinhas eleitorais pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dez pré-candidatos nacionais somaram R$ 3 milhões em doações individuais pela plataforma QueroApoiar. Apesar do novo canal de financiamento democrático, nenhum pré-candidato de Goiás aparece entre os 10 mais arrecadadores, levantando questões sobre a acessibilidade do sistema para políticos locais.
A plataforma QueroApoiar, autorizada pelo TSE, permite que cidadãos doem até R$ 10.638,00 cada, com transparência total dos valores e nomes dos apoiadores. Os líderes do ranking são figuras nacionais, como ex-ministros e deputados federais com grande visibilidade nas redes sociais, que conseguiram mobilizar milhares de pequenos doadores em poucas semanas. A ausência de pré-candidatos goianos no top 10 sugere que o novo modelo de financiamento ainda privilegia perfis com alcance nacional.
Segundo o G1, a maioria dos arrecadadores tem base em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, onde a estrutura de campanha digital é mais desenvolvida. Em Goiás, mesmo pré-candidatos com experiência política e presença nas redes sociais não conseguiram replicar o mesmo nível de engajamento financeiro. Isso pode indicar uma desigualdade na capacidade de mobilização entre regiões, mesmo com regras iguais para todos.
A legislação eleitoral criou a vaquinha como alternativa ao financiamento corporativo, que foi banido em 2015. A ideia era democratizar o processo, permitindo que cidadãos comuns sustentassem candidatos sem depender de empresários. Mas, conforme apurou o G1, a eficácia desse modelo depende de infraestrutura digital, equipe de comunicação e capital social — recursos que muitos políticos locais ainda não possuem.
Em Goiânia, alguns pré-candidatos afirmam estar iniciando campanhas de captação, mas com pouca visibilidade. A falta de campanhas de divulgação direcionadas e a dificuldade em acessar públicos fora da capital podem estar contribuindo para o distanciamento. Para especialistas, o modelo ainda é novo e exige adaptação — mas o tempo para se organizar é curto, já que as eleições de 2026 estão a apenas dois anos de distância.
A vaquinha eleitoral pode ser uma ferramenta poderosa para a participação popular, mas sua efetividade em Goiás depende de estratégias locais mais robustas. Sem investimento em comunicação e engajamento digital, pré-candidatos do estado correm o risco de permanecer invisíveis no novo cenário de financiamento.