Apesar de ter adotado o lema 'America First' e prometido acabar com guerras durante a campanha de 2016, o ex-presidente dos EUA Donald Trump autorizou operações militares e adotou uma política de pressão máxima contra adversários, como Irã e Venezuela, durante seu governo (2017-2021). Essa postura gerou tensões que, indiretamente, afetam cadeias produtivas em Goiás.
O discurso de desengajamento militar colidiu com decisões concretas, como o bombardeio a instalações na Síria em 2017 e 2018 e o ataque com drone que matou o general iraniano Qasem Soleimani em janeiro de 2020. Na Venezuela, o governo Trump intensificou sanções econômicas e reconheceu o opositor Juan Guaidó como presidente interino em 2019, mas evitou uma intervenção militar direta para depor Nicolás Maduro.
Segundo o G1, essas ações se alinham a uma estratégia de 'pressão máxima' que busca intimidar adversários sem necessariamente envolver tropas em grandes conflitos, um meio-termo entre o isolacionismo prometido e o intervencionismo tradicional. A política externa priorizou a demonstração de força em operações pontuais, mantendo, porém, um perfil de menor envolvimento em guerras prolongadas.
Historicamente, a promessa de reduzir compromissos militares no exterior remonta a debates anteriores, como os após a Guerra Fria, mas Trump a elevou a um lema central. A contradição entre retórica e prática gerou críticas tanto de isolacionistas quanto de hawks, refletindo tensões internas no republicanismo estadunidense sobre o papel dos EUA no mundo.
Para Goiás, as consequências chegam através de canais econômicos indiretos. Conflitos no Oriente Médio elevam o preço do petróleo, aumentando custos de produção agrícola e transporte. Já as tensões com a Venezuela afetam rotas de exportação da soja goiana, já que o país vizinho é um corredor logístico alternativo para embarques, especialmente via portos do Atlântico. Goiânia, como hub logístico regional, sente o impacto na cadeia de suprimentos global.
A política externa trumpista, entre a retórica de não intervenção e a ação militar seletiva, ilustra como decisões geopolímicas distantes podem repercutir na economia local, influenciando desde o custo do combustível até a competitividade das exportações goianas.