A campanha presidencial de Donald Trump em 2016 adotou retórica anti-guerra, mas sua administração (2017-2021) autorizou ações militares significativas, como o bombardeio que matou o general iraniano Qasem Soleimani. Essa contradição entre o isolacionismo do 'America First' e a prática intervencionista levanta questionamentos sobre a coerência da ideologia MAGA. Para Goiás, as decisões de política externa dos EUA podem influenciar o comércio de commodities e as relações comerciais com o Brasil.
Enquanto em 2016 Trump prometia 'não começar guerras, mas encerrá-las', sua presidência foi marcada por decisões militares assertivas, como o ataque aéreo no Iraque em janeiro de 2020 que eliminou Soleimani. Em relação à Venezuela, a administração Trump impôs sanções econômicas e reconheceu Juan Guaidó, mas não há registros de uma operação militar para capturar Nicolás Maduro, desmentindo alegações recentes sobre um suposto ataque em 2024 ou 2025, período em que Trump não era presidente.
Segundo o G1, essa dualidade reflete uma nuance do trumpismo: embora a base MAGA priorize temas internos e rejeite 'guerras infinitas', o governo Trump não hesitou em usar força quando considerou vital para interesses estratégicos, como no caso do Irã. A retórica de 'America First' frequentemente coexiste com uma postura dura contra adversários, criando um híbrido de isolacionismo econômico e intervencionismo pontual.
Para Goiás, as oscilações na política externa americana têm impacto direto no agronegócio, setor econômico central do estado. Tensions entre EUA e Irã ou Venezuela podem alterar preços de petróleo e fertilizantes, insumos críticos para a produção goiana. Além disso, eventuais mudanças nas regras de comércio internacional sob um novo governo Trump podem afetar as exportações de soja e minério de ferro para os EUA, um dos principais destinos das commodities goianas.
O histórico sugere que, mesmo com um discurso de desengajamento, os EUA mantêm capacidade de ação militar unilateral que reverbera globalmente. Para o Brasil e, por extensão, Goiás, a dependência de exportações para o mercado americano exige monitoramento das posições de Trump sobre acordos comerciais e sanções, que podem criar barreiras ou oportunidades para o agronegócio regional.
A desconexão entre a promessa de paz e as ações intervencionistas da era Trump ilustra a complexidade do trumpismo, com consequências que vão além da política interna e afetam economias regionais como a de Goiás através da volatilidade nos mercados globais de commodities.