Empresas ligadas ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, geraram mais de US$ 1,2 bilhão em receita em 2025, segundo relatório do Escritório de Ética Governamental dos EUA. O valor reacende críticas sobre a manutenção de negócios privados por líderes em cargos públicos, prática rara na história política americana e que agora é comparada a casos locais em Goiás.
O relatório do OGE detalha que hotéis, campos de golfe e licenciamentos da marca Trump continuaram a gerar lucros expressivos mesmo após o fim do mandato presidencial de Trump, em 2021. Especialistas em ética pública apontam que a ausência de mecanismos legais eficazes nos EUA permite que decisões governamentais — como tratamentos favoráveis a propriedades do presidente — sejam interpretadas como benefícios indiretos aos negócios privados.
Segundo o G1, esse tipo de conflito não é exclusividade dos Estados Unidos. No Brasil, empresários com contratos públicos em Goiás também enfrentam questionamentos sobre transparência e possíveis benefícios indevidos. Casos recentes envolvendo empresas de políticos estaduais que conquistaram licitações sem licitação aberta geraram protestos e pedidos de investigação por organizações da sociedade civil.
Historicamente, presidentes americanos desde Dwight Eisenhower adotavam fundos cegos ou vendiam ativos para evitar conflitos. Trump foi o primeiro desde a década de 1970 a manter propriedades ativas durante o mandato, criando um precedente que muitos analistas temem ser replicado por futuros líderes. No Brasil, a Lei de Improbidade Administrativa e o Portal da Transparência existem, mas sua eficácia depende de fiscalização constante e vontade política.
Em Goiânia, a Câmara Municipal e o Tribunal de Contas do Estado têm poderes para investigar suspeitas de conflito de interesse, mas críticos apontam que processos são lentos e raramente resultam em punições reais. A falta de transparência em contratos de serviços de limpeza, saúde e infraestrutura levou a um aumento de denúncias no Ministério Público de Goiás nos últimos dois anos, segundo dados oficiais.
A polêmica em torno dos negócios de Trump serve de espelho para o debate em Goiás: sem regras claras e fiscalização efetiva, o poder público pode se tornar instrumento de enriquecimento privado.