O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou a concessão do Nobel da Paz de 2026 à jurista Navi Pillay nas primeiras horas deste sábado (10), classificando a decisão como um absurdo e alegando que ele próprio merecia o reconhecimento. Quase simultaneamente, a Casa Branca confirmou novas sanções contra o Tribunal Penal Internacional, onde a premiada atuou como juíza.
Em publicação na rede Truth Social, Trump colocou em dúvida os critérios do comitê norueguês e sugeriu motivação política na escolha. A reação ocorreu poucas horas após o anúncio oficial em Oslo, que destacou a trajetória de Pillay na defesa de direitos humanos, incluindo sua atuação em 1973 para garantir direitos a presos políticos na Ilha Robben, durante o apartheid sul-africano.
Segundo reportagem do G1, o Departamento de Estado formalizou as sanções contra o TPI ainda na madrugada, mirando promotores e funcionários da corte. A medida retoma a pressão iniciada no primeiro mandato de Trump contra o tribunal, que os Estados Unidos não reconhecem e acusam de ameaçar a soberania nacional e a de aliados como Israel.
Navi Pillay, de 83 anos, presidiu o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia e chefiou o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos. Seu nome era cotado em listas de favoritos há meses, mas a vitória gerou divisão entre especialistas: alguns veem o prêmio como reforço ao direito humanitário; outros, como sinal de confronto com potências que rejeitam a jurisdição do TPI.
A sequência de eventos — crítica presidencial, anúncio de sanções e perfil da laureada — expõe o atrito entre a administração americana e o sistema de justiça internacional. Organizações de direitos humanos alertam que a retaliação pode enfraquecer investigações de crimes de guerra em andamento e desencorajar cooperação de Estados-partes do Estatuto de Roma.
O episódio amplia a incerteza sobre o engajamento dos EUA com mecanismos multilaterais de justiça e coloca o Nobel da Paz no centro de uma disputa geopolítica que ultrapassa a homenagem individual.