O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas começou a despachar urnas eletrônicas que precisam percorrer mais de mil quilômetros por rios para chegar a seções de voto em localidades isoladas. A operação marca a etapa final do planejamento logístico para o pleito de 2026.
As embarcações partem de Manaus carregadas com as caixas de voto e seguem por cursos d'água que cortam o maior estado brasileiro em extensão territorial. O trajeto fluvial é a única alternativa viável para alcançar comunidades ribeirinhas e indígenas onde não há estradas nem aeroportos.
Segundo reportagem do G1, o cronograma de distribuição foi desenhado ainda em janeiro de 2025, com mapeamento de rotas, calendário de cheias e secas e coordenação com as Forças Armadas para garantir a segurança do material. O tribunal mobilizou equipes técnicas para acompanhar o carregamento e a lacração dos equipamentos nos portos de embarque.
A Justiça Eleitoral repete a cada ciclo a força-tarefa que envolve barcos regionais, lanchas rápidas e, em trechos de difícil navegação, canoas motorizadas pilotadas por moradores que conhecem os canais. O objetivo é entregar as urnas com antecedência suficiente para testes de funcionamento e treinamento de mesários antes do dia da votação.
A experiência amazonense serve de referência para outros estados que também enfrentam barreiras geográficas na hora de garantir o voto. No Norte e no Centro-Oeste, municípios com acesso precário dependem de planejamento antecipado e parcerias locais para que a urna chegue a tempo e em condições de uso.
A distribuição fluvial no Amazonas mostra como a logística eleitoral se adapta ao território para manter o direito ao voto em qualquer canto do país.