Atropelamento no Rio de Janeiro que matou uma mãe e seu filho pequeno, ambos em uma bicicleta elétrica, coloca em pauta novamente a prioridade de pedestres e ciclistas no trânsito urbano. O incidente, ocorrido na Tijuca na semana passada, serve de alerta para Goiânia, que expande sua rede de ciclovias sem regulamentação específica para veículos de micromobilidade.
Segundo dados do Denatran, os acidentes envolvendo bicicletas elétricas cresceram 30% no Brasil em 2023, refletindo o aumento no uso desses veículos. Em Goiânia, o crescimento foi ainda mais acentuado: 40% no último ano, segundo estimativas da Secretaria Municipal de Trânsito. Essa expansão ocorre em um contexto onde a cidade já possui mais de 100 km de ciclovias, mas com integração precária com o transporte público e sinalização inadequada.
Urbanistas criticam a falta de separação física entre ciclistas e veículos motorizados, especialmente em cruzamentos. "O caso do Rio demonstra que a convivência forçada em vias compartilhadas é perigosa", afirma o especialista em mobilidade urbana Carlos Eduardo Silva. Em cidades como Amsterdã, a prioridade em cruzamentos e cicrovias segregadas reduziram drasticamente os acidentes. No Brasil, a ausência de legislação clara para bicicletas elétricas complica a aplicação de regras.
Goiânia precisa revisar suas normas de trânsito para incluir esses novos modais e garantir segurança. A Prefeitura deve acelerar a implantação de infraestrutura dedicada e campanhas de educação. A tragédia no Rio não pode ser em vão: é urgente harmonizar as regras com a nova realidade da mobilidade, priorizando a vida.