Um torcedor de Goiânia adquiriu todos os sete ingressos para os jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, desde a fase de grupos até a final, por apenas R$ 3 mil. Combinando promoções de cartões de crédito, acúmulo de pontos de programas de fidelidade e compras em loterias oficiais com descontos, ele evitou revendedores e pagou menos da metade do preço médio do mercado.
O valor médio por ingresso ficou em cerca de R$ 428, enquanto os preços oficiais variavam entre R$ 1.200 e R$ 8.500, conforme a fase e o estádio. O torcedor, que não teve o nome divulgado, afirmou ter planejado a compra com meses de antecedência, monitorando ofertas e aproveitando campanhas de bancos e da Caixa Econômica Federal. Ele não recorreu a sites de revenda, evitando taxas abusivas e riscos de fraude.
Segundo o Mais Goiás, esse tipo de estratégia já foi usada por outros torcedores do Centro-Oeste em eventos como o Campeonato Brasileiro e a Copa América, mas a escalabilidade para uma Copa do Mundo é rara. A reportagem apurou que, mesmo entre os fãs de futebol mais engajados de Goiânia, poucos conseguiram acessar todos os jogos da seleção com um custo tão baixo.
A economia com ingressos se baseia em três pilares: cartões de crédito com cashback em compras de eventos, programas de pontos que permitem resgate de passagens e ingressos, e a compra de loterias como a Mega-Sena e a Quina, cujos prêmios em dinheiro podem ser usados para financiar a aquisição de bilhetes com descontos específicos. Essas práticas são legais e incentivadas pelas próprias instituições financeiras e pela Caixa.
Em Goiás, onde o poder aquisitivo médio é inferior ao das regiões Sudeste e Sul, esse modelo pode servir de exemplo para políticas públicas e parcerias com empresas locais. Organizações como a FGF e o Sebrae-GO poderiam promover oficinas sobre gestão financeira para torcedores, ensinando como aproveitar benefícios já disponíveis no mercado sem depender de intermediários.
O caso do torcedor goiano mostra que, com planejamento e conhecimento, é possível participar de grandes eventos esportivos mesmo com orçamento limitado. A estratégia dele não é um milagre, mas um modelo replicável — e potencialmente escalável — para milhares de fãs no interior do país.