Taiwan iniciou na quarta-feira exercícios militares de dez dias que simulam uma invasão chinesa, incluindo uma redução deliberada da velocidade da internet por trinta minutos para replicar um ataque às comunicações. O Exército convocou cinco mil reservistas para participar das atividades ininterruptas.
Os exercícios começaram em 5 de agosto e se estenderão por dez dias e nove noites sem pausa, segundo reportagem do G1. A medida de tornar a internet mais lenta pela primeira vez na história da ilha busca preparar a infraestrutura civil e militar para cenários de bloqueio ou sabotagem de cabos submarinos e satélites.
A convocação de reservistas integra o plano de prontidão total, com tropas treinando operações de defesa costeira, resposta a desembarques e manutenção de serviços essenciais sob pressão. Autoridades de Taipé afirmam que a simulação não tem alvo político imediato, mas reflete a escalada de atividades militares chinesas no Estreito nos últimos anos.
Pequim considera Taiwan parte de seu território e não descarta o uso da força para reunificação. Nos últimos meses, a Força Aérea chinesa realizou incursões quase diárias na zona de identificação de defesa aérea taiwanesa, enquanto navios de guerra operam nas proximidades da ilha com frequência crescente.
Analistas ouvidos pela imprensa internacional avaliam que o teste de comunicações degradadas expõe a vulnerabilidade de uma economia altamente digitalizada. Bancos, hospitais, comércio eletrônico e serviços de emergência dependem de conexão estável, e a simulação permite medir tempos de recuperação e falhas em cascata.
O exercício inédito sinaliza que Taipé trata a resiliência digital como prioridade estratégica diante de um adversário com capacidade cibernética avançada.