Um super El Niño está em formação no Oceano Pacífico com probabilidade superior a 90% de se tornar um dos episódios mais intensos já documentados. O evento tende a amplificar chuvas volumosas, tempestades severas e enchentes em múltiplas regiões brasileiras, em um cenário já pressionado pelo aumento da temperatura global.
Dados da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) indicam que as águas superficiais do Pacífico equatorial continuam a aquecer acima da média histórica, configurando as condições para um episódio de magnitude excepcional. Segundo reportagem do G1, a convergência entre esse fenômeno natural e o aquecimento antropogênico cria um cenário sem precedentes recentes para a dinâmica climática sul-americana.
A intensificação das chuvas deve atingir com maior força o Sul e o Sudeste, mas modelos climáticos projetam reflexos também no Centro-Oeste, onde o regime de chuvas pode se tornar mais irregular e concentrado em eventos extremos. A combinação eleva a pressão sobre sistemas de drenagem urbana, barragens e encostas instáveis, aumentando a probabilidade de deslizamentos e alagamentos repentinos.
Episódios anteriores de forte intensidade, como os de 1997-1998 e 2015-2016, causaram prejuízos bilionários em infraestrutura, agricultura e saúde pública no Brasil. A diferença agora é a temperatura de fundo do planeta, que está cerca de 1,2 grau Celsius acima da era pré-industrial, potencializando a energia disponível para tempestades e ondas de calor simultâneas.
Em Goiás, a Defesa Civil estadual monitora bacias hidrográficas sensíveis e áreas de ocupação de risco nas regiões metropolitanas, onde o adensamento populacional sobre várzeas e fundos de vale amplia a vulnerabilidade a enxurradas. Planos de contingência estão sendo atualizados para cenários de precipitação acima de 100 milímetros em 24 horas, patamar que historicamente já provocou interdições de vias e danos a redes de água e energia.
A formação do super El Niño exige coordenação entre órgãos federais, estaduais e municipais para mitigar impactos em infraestrutura crítica e proteger populações em áreas de risco, num ano que já registra recordes de temperatura global.