Cientistas do INMET, INPE e agências internacionais acompanham a formação de um Super El Niño que pode figurar entre os mais intensos da história. O fenômeno deve modificar padrões de chuva e temperatura no Brasil, com atenção especial para o Centro-Oeste. A combinação de satélites e registros paleoclimáticos permite projeções mais precisas sobre os efeitos regionais.
Segundo reportagem do G1, o aquecimento anômalo das águas do Pacífico equatorial já atinge níveis comparáveis aos eventos de 1997-1998 e 2015-2016. Modelos do NOAA e da WMO indicam probabilidade acima de 70% de que o episódio atinja categoria "muito forte" entre o fim de 2026 e o início de 2027.
Em Goiás, episódios anteriores de El Niño forte reduziram o volume de chuvas entre outubro e março, encurtando a janela de plantio de soja e milho. Dados do INMET mostram que, nos últimos três eventos intensos, a precipitação na safra de verão ficou 20% a 35% abaixo da média histórica no sudoeste goiano.
Pesquisadores do INPE cruzam dados de satélite com registros de estalagmites de cavernas goianas para reconstruir a variabilidade climática dos últimos milênios. O estudo, publicado no Journal of Climate, revela que a frequência de El Niños extremos aumentou nas últimas décadas, o que eleva o risco de secas agrícolas prolongadas no estado.
A Defesa Civil estadual e a Emater já preparam orientações para produtores rurais, com foco em manejo de solo, escolha de cultivares de ciclo mais curto e armazenamento de água. O monitoramento semanal do INMET será atualizado a cada boletim, permitindo ajustes nas estratégias de plantio.
O acompanhamento contínuo do fenômeno será decisivo para minimizar prejuízos na agropecuária goiana e garantir segurança hídrica nos municípios mais vulneráveis.