Entre 1877 e 1879, o Brasil viveu um dos eventos climáticos mais intensos de sua história, o 'Super El Niño', que provocou seca severa no Nordeste e quase 10 mil mortes na Paraíba por fome e doenças.
O fenômeno, classificado como 'Super El Niño', ampliou extremos climáticos, secando regiões já áridas e provocando chuvas intensas em áreas historicamente úmidas. Na Paraíba, a estiagem prolongada entre 1877 e 1879 levou à fome generalizada e ao aumento de doenças ligadas à falta de água, resultando na morte de quase dez mil pessoas. O impacto foi tão grave que o período ficou conhecido como a Grande Seca, considerada uma das piores catástrofes climáticas do Brasil no século XIX.
Embora o evento tenha ocorrido há mais de século e meio, cientistas e historiadores consultam o período como referência para entender a gravidade de extremos climáticos atuais. A comparação com o El Niño de 2026 serve como alerta sobre a intensidade que esses fenômenos podem atingir quando combinados com as mudanças climáticas globais. O contexto histórico demonstra que secas prolongadas têm potencial para causar crises humanitárias de magnitudes imprevisíveis sem intervenções adequadas.
Para Goiás, que enfrenta frequentes períodos de seca e ondas de calor nas últimas décadas, o precedente nordestino reforça a necessidade urgente de políticas de adaptação e gestão de recursos hídricos. O passado serve como lição sobre como a falta de planejamento hídrico pode transformar fenômenos climáticos naturais em crises sociais de grande proporção. Especialistas apontam que a infraestrutura e as estratégias atuais ainda têm lacunas semelhantes às enfrentadas no século XIX.
A gestão de recursos hídricos emerge como ponto central para mitigar impactos de eventos climáticos extremos no Centro-Oeste. O caso da Paraíba no final do século XIX demonstra que a seca não afeta apenas o meio ambiente, mas desestabiliza economias locais, gera deslocamento populacional e sobrecarrega sistemas de saúde. Investimentos em infraestrutura, como barragens e sistemas de captação de água da chuva, tornam-se essenciais para reduzir a vulnerabilidade diante de cenários cada vez mais frequentes.
O estudo do 'Super El Niño' histórico ilustra a importância de aprender com o passado para construir resiliência climática no presente, especialmente em regiões como Goiás que vivenciam secas recorrentes.