Pular para o conteúdo
Publicidade
Brasil

SP monta abrigo no Metrô Pedro II com frio intenso; Goiânia tem milhares em rua sem estrutura similar

Enquanto São Paulo reage a temperaturas abaixo de 10°C, capital goiana enfrenta inverno ameno, mas sem abrigos emergenciais para população de rua

R
Redação Biscoitei
12 de julho de 2026, 14:49 3 min de leitura
Compartilhar:
🎧
OUÇA ESTA MATÉRIA
SP monta abrigo no Metrô Pedro II com frio intenso; Goiânia tem milhares em rua sem estrutura similar
Foto: Reprodução/og:image

O governo de São Paulo ativou um abrigo emergencial na Estação Pedro II do Metrô, na noite de 13 de maio de 2024, para acolher pessoas em situação de rua durante onda de frio intenso. A medida, válida até 16 de maio, oferece alimentação, banho e repouso seguro, em resposta a previsões de temperaturas abaixo de 10°C no estado. Enquanto isso, em Goiânia, milhares vivem nas ruas sem estrutura similar, mesmo com invernos menos rigorosos.

O abrigo no Metrô Pedro II é parte de um protocolo de assistência social já testado em eventos climáticos extremos em São Paulo. Segundo o G1, a operação conta com equipes de assistência social, saúde e segurança, que atuam em parceria com ONGs e órgãos municipais. O espaço foi escolhido por sua localização central e acesso fácil a linhas de transporte, garantindo maior visibilidade e segurança aos acolhidos.

Em Goiânia, a situação é diferente: o inverno é mais ameno, com temperaturas raramente caindo abaixo de 12°C, mas a vulnerabilidade social persiste. A Prefeitura mantém dois centros de acolhimento permanentes, mas a capacidade é insuficiente para atender às estimativas de mais de 3.500 pessoas em situação de rua, segundo dados da Secretaria Municipal de Assistência Social. A ausência de abrigos emergenciais, mesmo em períodos de frio mais intenso, levanta questionamentos sobre a replicabilidade do modelo paulista.

Conforme apurou o G1, São Paulo já implementou abrigos temporários em estações de metrô e terminais rodoviários em cinco ocasiões desde 2020, sempre em resposta a previsões climáticas. Essa lógica de resposta rápida, baseada em alertas da Defesa Civil, contrasta com a estrutura fixa e limitada adotada em Goiás, que depende de recursos orçamentários anuais e não prevê ações dinâmicas em situações de emergência climática.

Para especialistas em políticas públicas, a ausência de abrigos emergenciais em Goiânia não é questão de clima, mas de prioridade. O modelo de São Paulo demonstra que é possível mobilizar recursos em poucas horas — algo que poderia ser adaptado à realidade goiana, mesmo sem ondas de frio extremo. A falta de infraestrutura temporária deixa pessoas vulneráveis expostas a riscos de saúde, violência e morte, especialmente em noites mais frias do inverno.

A experiência de São Paulo mostra que acolhimento emergencial não depende apenas de temperaturas baixas, mas de vontade política e planejamento. Em Goiânia, onde o frio é suave, a necessidade de proteger quem vive nas ruas é tão urgente quanto em qualquer capital com inverno rigoroso.

Compartilhar: